segunda-feira, 21 de junho de 2010

A criatura é feita à imagem e semelhança do criador, e assim ela vem, rasgando a noite, fumegante, deixando para trás um rastro de monóxido de carbono.
Em seu ventre carrega seres humanóides, adormecidos em um mundo onírico, com olhos vazios e almas secas, que não sabem de onde vêm e nem para onde ou porque vão, apenas seguem a programação.
São tão máquinas quanto suas criaturas, óbvio, e carregam em suas mentes artificiais alguns conceitos genéricos e sentimentos confusos: amor, Deus, esperança, razão, que apenas justificam a sua conduta.
São transportados aos bandos, apertados, expremidos, mas isolados entre si como ilhas. São despejados em lugares escuros e tristes onde, como gado, têm suas almas roubadas, sugadas, dilaceradas.
Tal qual o cavalo ,que recebe a sua ração de forma a aguentar o seu fardo, é o humanóide, cujo pagamento consiste em lixo industrializado e bens de consumo, de modo a se manter submisso no cabresto.
Quando nascem, trazem em si toda a potencialidade para viver uma vida livre e plena, mas são poucos os que resistem ao assédio persistente dos devoradores de almas.
A programação começa em casa, onde os próprios pais ensinam falsos valores, entre eles as religiões. Depois são enviados às escolas, onde aprendem que existem padrões a serem seguidos, e que não seguir tais padrões significa exclusão, ridicularização, solidão. E assim se convertem em máquinas.
Durante toda a sua pobre existência tem a vaga impressão de que algo dentro de si grita a plenos pulmões: ACORDA HOMEM!!
Poucos dão ouvidos a tais apelos.
O domínio das máquinas sobre a humanidade é vista como uma ficção futurista, mas na verdade é uma realidade dominante.
O próprio homem se transformou na máquina que o domina, e o iluminismo nos trouxe a pseudo razão, que é o programa operacional de tal maquinário.

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