Já não há ansiedade, agora ele segura uma palha, tira do bolso esfarrapado o fumo, que enrola com dedos hábeis e tranquilos.
Não sabe que horas são e muito menos as notícias do dia.
Coloca o cigarro na boca e o acende, vagarosamente, observando, como um rescém nascido, toda a funcionalidade do seu corpo, que após cinquenta anos ainda o surpreende.
Foram anos de luta, de crises, alegrias e tristezas.
Aos quinze se apaixonou.
A primeira paixão é como uma droga, nos provoca sensações indizíveis, e com o tempo nos leva à dependência ou à tolerância.
Mas então sentiu a angústia da abstinência.
Foram anos de lágrimas e saudades, palavra esta última que tem o inconveniente poder de nos devolver coisas, gostos, perfumes, beijos e amores. Que já não nos pertencem.
Mas o tempo voa, e esquecendo-se desta certeza reencontram-se, prometendo mutuamente nunca mais separar-se.
Então planejam o futuro, trabalham, constroem uma vida sobre sólidos alicerces. Que cedo ou tarde se desmancharão.
O homem trabalha duro quando coloca o coração no que faz, ou quando tem no coração um motivo para fazê-lo.
E o homem faz, trabalha, acumula riquezas e constrói palácios. Mas o tempo, senhor de todos os ciclos, determina que em certa manhã ele despertará e verá em cinzas tudo aquilo que um dia foi, inclusive a si mesmo.
A lenha úmida crepita na fogueira, que não perdoa, e transforma.
O olhar deste homem vai ao longe e alcança os últimos raios de sol que banham o alto da montanha.
Ele já não ouve a televisão e nem a algazarra das ruas, mas sim o cantar dos pássaros que se preparam para a noite que vem chegando.
Sentindo o cheiro do café, que esquenta no velho fogareiro, ele observa uma borboleta, que, com as asas desgastadas pelo tempo e pelo vento, já não consegue alçar voo.
Meu Deus!
Para que um novo dia nasça, é preciso que venha a noite.
E quando ela vier, que venha cheia de sonhos bons.
Sonhos onde ainda somos crianças e corremos pelos campos floridos e enfeitados de pássaros coloridos e dóceis.
E que depois de brincar sejamos acolhidos no seio de nossa mãe celestial, que nos acaricia o rosto com sua ternura infinita e, sorrindo, fala baixinho: Bons sonhos minha criança.
Vivemos em um mundo de aparências, tudo é ilusão, o dinheiro, a beleza, o status, e até mesmo o amor... Todos os dias nos perguntamos sobre o sentido da vida, sobre o que vale realmente, mas será que temos coragem de fazer essa busca? Eu acho que não...
segunda-feira, 21 de junho de 2010
A criatura é feita à imagem e semelhança do criador, e assim ela vem, rasgando a noite, fumegante, deixando para trás um rastro de monóxido de carbono.
Em seu ventre carrega seres humanóides, adormecidos em um mundo onírico, com olhos vazios e almas secas, que não sabem de onde vêm e nem para onde ou porque vão, apenas seguem a programação.
São tão máquinas quanto suas criaturas, óbvio, e carregam em suas mentes artificiais alguns conceitos genéricos e sentimentos confusos: amor, Deus, esperança, razão, que apenas justificam a sua conduta.
São transportados aos bandos, apertados, expremidos, mas isolados entre si como ilhas. São despejados em lugares escuros e tristes onde, como gado, têm suas almas roubadas, sugadas, dilaceradas.
Tal qual o cavalo ,que recebe a sua ração de forma a aguentar o seu fardo, é o humanóide, cujo pagamento consiste em lixo industrializado e bens de consumo, de modo a se manter submisso no cabresto.
Quando nascem, trazem em si toda a potencialidade para viver uma vida livre e plena, mas são poucos os que resistem ao assédio persistente dos devoradores de almas.
A programação começa em casa, onde os próprios pais ensinam falsos valores, entre eles as religiões. Depois são enviados às escolas, onde aprendem que existem padrões a serem seguidos, e que não seguir tais padrões significa exclusão, ridicularização, solidão. E assim se convertem em máquinas.
Durante toda a sua pobre existência tem a vaga impressão de que algo dentro de si grita a plenos pulmões: ACORDA HOMEM!!
Poucos dão ouvidos a tais apelos.
O domínio das máquinas sobre a humanidade é vista como uma ficção futurista, mas na verdade é uma realidade dominante.
O próprio homem se transformou na máquina que o domina, e o iluminismo nos trouxe a pseudo razão, que é o programa operacional de tal maquinário.
Em seu ventre carrega seres humanóides, adormecidos em um mundo onírico, com olhos vazios e almas secas, que não sabem de onde vêm e nem para onde ou porque vão, apenas seguem a programação.
São tão máquinas quanto suas criaturas, óbvio, e carregam em suas mentes artificiais alguns conceitos genéricos e sentimentos confusos: amor, Deus, esperança, razão, que apenas justificam a sua conduta.
São transportados aos bandos, apertados, expremidos, mas isolados entre si como ilhas. São despejados em lugares escuros e tristes onde, como gado, têm suas almas roubadas, sugadas, dilaceradas.
Tal qual o cavalo ,que recebe a sua ração de forma a aguentar o seu fardo, é o humanóide, cujo pagamento consiste em lixo industrializado e bens de consumo, de modo a se manter submisso no cabresto.
Quando nascem, trazem em si toda a potencialidade para viver uma vida livre e plena, mas são poucos os que resistem ao assédio persistente dos devoradores de almas.
A programação começa em casa, onde os próprios pais ensinam falsos valores, entre eles as religiões. Depois são enviados às escolas, onde aprendem que existem padrões a serem seguidos, e que não seguir tais padrões significa exclusão, ridicularização, solidão. E assim se convertem em máquinas.
Durante toda a sua pobre existência tem a vaga impressão de que algo dentro de si grita a plenos pulmões: ACORDA HOMEM!!
Poucos dão ouvidos a tais apelos.
O domínio das máquinas sobre a humanidade é vista como uma ficção futurista, mas na verdade é uma realidade dominante.
O próprio homem se transformou na máquina que o domina, e o iluminismo nos trouxe a pseudo razão, que é o programa operacional de tal maquinário.
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